Escrito por Paula Cajaty
EROS, PSIQUÉ E MARESIA

- por Thiago Bomfim
É com grande emoção que escrevo sobre o livro de poemas “sexo, tempo e poesia” de Paula Cajaty. Sua poesia é deliciosa para os dias claros, nublados ou simplesmente nas tardes de edredon. Talvez possamos perceber que os três temas principais que dão título ao livro estão ligados uns aos outros de uma forma silenciosa, e somente em suas arestas perdidas, entrelinhas, beiras e frestas vemos a força desse concerto poético cujo solista é Eros / Psiqué.
Sim, eles mesmos! Aquele eterno menino das flechas, filho de Afrodite e apaixonado por Psiqué, a linda mortal do castelo nas alturas e os descobrimentos lá de baixo.
Para o livro de Paula Cajaty, trago o sentido de Eros como ligação e é isso que sentimos ao percorrer os poemas. Seja a ligação com a passagem do tempo, o dia chegando em curvas das horas, suas partidas e viagens – “a felicidade da chegada / o gosto da estrada / o prazer da travessia” –, a tentativa dos presentes em “entupir a ampulheta / com chiclete” e negar os “relógios me lembrando / das horas perdidas” para se transformarem em experiência e memória. Seja a ligação com a linguagem – “a poesia põe em mim / palavras que apenas risco” – e seus horizontes imaginários, que se abrem ora em torrentes de palavras ora em “talvez seja só / saudade do silêncio”. Por fim, a ligação com um corpo nada abstrato, mas bem vivo em suas querências – “corro nas curvas / por dentro / deslizo prazeres pela mão” – e em sua falta de regras no prazer do fazer amor e fazer poesia, levando-nos à total entrega do eu ao outro – “entre seus dedos, espreguiço. / só ele me desvenda no prazer” –, respeitando-se também o desejo do exílio deste eu. Esta relação entre o eu e o outro pode ser aquela do poeta com sua obra, o poeta com o leitor, o poeta e o leitor observando juntos a passagem do tempo em outra cena, o encontro sensual de dois corpos? Deixo aqui em suspenso a resposta e apenas arrisco dizer que a literatura deve ser uma relação erótica por excelência. E a de Paula tem dessas coisas: ela é atirada, tem cheiro de maresia e brinca com malabares e fitas!