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- Viagem ao Centro da Terra - O Filme. EUA: 2008 (Journey to the center of the earth) 

Haja pipoca...

Sabemos que o livro é ótimo e seu autor, mais genial ainda. É certo, também, que Júlio Verne (Jules Verne, no original) conseguiu uma façanha digna de nota, que é a de se tornar um ícone da literatura mundial infanto-juvenil sem, contudo, escrever uma obra que se restringisse a essa faixa etária específica.

A evocação à obra do francês de Nantes é uma ótima motivação a incentivar a leitura dos clássicos, mesmo que de ficção científica. De outra parte, os efeitos especiais do filme 3D inauguram uma nova etapa para os filmes de aventura hollywoodiana, que incluem sustos e sensações nunca antes imaginadas, num deleite sem precedentes do áudio-visual-sensitivo da garotada.

As boas notícias do filme param aí. O carisma de Brendan Fraser não salva o filme, mas atenua as inconsistências, as sensações de repetição, a irritação com os diálogos de lugar-comum e o déjà vu com películas do gênero.

Apesar da viagem ser para o centro da Terra, o roteiro e a direção se esquecem de fazer um bom trabalho de aprofundar as características de cada personagem. Basta uma pincelada de vida, alguns hábitos indicados, um apanhado de duas ou três frases e, voilà, a personagem já parte para o terrário existente no interior do tubo do vulcão, num incrível e novo mundo de desafios, à míngua de outras fronteiras a serem exploradas na superfície.

Simplesmente não há conflito, ingrediente básico imprescindível de qualquer filme que se preze, mesmo de aventura: Batman tem um conflito, o Homem-Aranha também não o dispensa, os X-Men são desajustados e discriminados, enfim, há absoluta necessidade de algum conflito, ainda que superficialmente abordado. Isso passa ao largo dos roteiristas e da direção.

Assim, Brendan Fraser é o geólogo Trevor Anderson, fazendo o tipo de cientista-crédulo-bonitão, paradoxalmente metódico com suas teses e desarrumado em sua vida exterior, que recebe o sobrinho da mão da cunhada, para um singelo final de semana para fins de aprofundar o relacionamento familiar distante e cheio de abismos.

A mãe do menino Sean Anderson faz duas aparições meteóricas, com quatro falas recheadas de clichês, e sequer conta como coadjuvante, senão como mera figurante na história.

O menino Sean, por seu turno, de aborrecente emburrado e presunçoso, em menos de quinze minutos de filme passa a amigo fiel e solidário na dor comum da perda de seu pai - irmão do protagonista -, e curiosamente se mostra especialmente treinado nas artes de fugir de perigos impossíveis e inimagináveis, tal como um mini-Indiana Jones
(e olha que em momento nenhum Indiana Jones se mostrou apto a fugir de dinossauros).

A única personagem capaz de enfrentar os desafios propostos pelo filme é a guia islandesa incrédula-revoltada com as manias de seu pai, este um outro cientista aficcionado pelas histórias de Júlio Verne, ficando sugerida a participação dele numa seita secreta não identificada nem revelada no curso do filme. Seu destino foi o mesmo do irmão de Trevor, também possivelmente desaparecido nos labirintos da Terra. Ela, por sua vez, no primeiro instante que se vê naquele lugar inóspito que julgava existir somente nas sandices de seu pai, age com espetacular frieza e naturalidade e atua olimpicamente como se já soubesse singrar por aquelas dificuldades com seus parcos conhecimentos de montanhismo.

Agora, poupando outras análises do conteúdo, que contariam o restante do filme, vejamos as suas inconsistências máximas, descontando-se, por óbvio, o que se é proposto como ficção possível:

- no primeiro momento do terrário, os atores encontram pertences de Max, o saudoso e falecido irmão e pai dos protagonistas. Resta a pergunta: quem o enterrou? Será o tal terrário uma espécie de parque de diversões daquela seita secreta que segue as orientações vernianas? De outro lado, não consta registro de que o pai de Hannah (a mocinha) tivesse passado por lá, o que é sugerido no início do filme, diante de suas anotações nos livros ficcionais;

- durante todo o percurso até chegar ao terrário secreto e estando lá nele, ninguém fica nem um pouco preocupado com fome, sede ou com a fluência do tempo, como se todos estivessem certos da sobrevivência e do triunfo final pelo tubo do vulcão;

- os atores entram num trem, tranqüilamente, a despeito de não saber o destino deste e, espetacularmente, o trem voa, como se não fosse feito de metal e madeira. Acontece que normalmente ele deveria despencar como qualquer outro trem à falta de chão. Até porque, não havia nenhum efeito especial anti-gravitacional a justificar o vôo das toneladas do trem acima do abismo que separava as pontas do trilho;

- Sean atende o telefone celular - sim, senhores! é isso mesmo que vocês estão lendo! - ele atende sua mãe ao celular no centro da Terra. Com certeza, Júlio Verne não foi tão arrojado em sua ficção científica, e nem de longe tão criativo quanto a turma empolgada da New Line Cinema;

- finalmente, o italiano tosco que vive numa aldeia agropastoril à base do Vesúvio, fala inglês automaticamente após o primeiro contato com a benevolência e generosidade norteamericana, apesar de se tratar de uma língua de origem anglo-saxônica e, portanto, sem nenhuma semelhança com a língua italiana, de origem latina.

Sugiro que Brendan não aceite novos desafios e continue fazendo - e bem - continuações eficazes de seu bem-sucedido "A Múmia". De resto, viva Indiana Jones! Ele já está meio velhinho, mas ainda rende.

 

Comentários  

 
#2 Andressa 03/09/2010 18:31
bom eu queria saber quais as ficções fientificas que aparecem no filme: viagem ao centro da terra.
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#1 rebeca 07/02/2010 13:14
eu adorei este filme muito interessante
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