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- Carneiro, Flávio Martins. A confissão. Rio de Janeiro: Rocco, 2006.

 

Flávio Carneiro, com a habilidade ímpar da prosa de sua Confissão nos leva a uma cadeira, nos amarra ao seu relato intenso e profundo e já não somos mais que confessores comovidos.

 

Sua personagem complexa e indecisa, um homem sedutor e denso, diferente dos outros, sem nome ou destino certo, precisa desesperadamente contar sua história e vai revelando seu segredo a uma interlocutora especial e sem voz, seqüestrada para ouvi-lo ininterruptamente até o fim.

 

Ele conta então de sua fome interminável, sua fome de aprender tudo e conhecer o que não se ensina com palavras, ele conta que precisava encontrar a cura para seus vazios.

 

Invadido por contraditórios pensamentos, preenchido por estranhos desejos, vai descobrindo aos poucos em suas tantas e diferentes paixões o quanto o amor se assemelhava à própria morte.

 

Essa metamorfose fantástica e inexplicável atravessa as folhas do livro e se instala, silenciosa e irremediável, nos olhos de quem o lê, de quem espera atento o desfecho da história, o final de seu sombrio relato.

 

Na tentativa incessante de voltar ao início para resgatar-se a si próprio após as profundas marcas de seus amores, deseja firmemente que essa mulher amordaçada possa enfim desatar seus nós, talvez seja essa a única mulher que possa lhe responder, suavemente: Eu ensino, querido, o que você quiser.

 

Se essa mulher ímpar, ciente dos riscos na intensidade da entrega, finalmente abraçá-lo e ousar se despir de seus medos em busca do êxtase último da vida, esse amor se transmudaria, ainda e mais outra vez, numa sentença de morte.

 

Resta-nos perguntar se ela estaria disposta a tanto, resta-nos saber se para ele haveria perdão.

 

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