THE SOUND OF EMPTINESS
(translation by Eugenia Gay)
Music fulfills its voids
no one can release me
of myself at this stage
I let myself be fearless of nothingness
and pretend that, on the course of the road
I can still find a way.


- Jardim, Leandro Schoemer. Todas as vozes cantam. Rio de Janeiro: 7Letras, 2008.
As vozes de Leandro Jardim cantam um canto leve, iluminam o caminho de quem as ouve, num verdadeiro allegro andante.
Música que vai crescendo tímida, sem anúncios e atinge seu clímax em 'Dissonâncias', um de seus melhores capítulos. Parece que sua poesia vai ganhando em corpo e beleza até finalizar mais branda num 'Poeminha terminal'.
Tudo em Leandro dialoga com a música, com a arte, com o cotidiano, numa reunião infinda e mixada de estímulos e influências poéticas.
Alguns versos saltam soberanos das estrofes, tal como notas agudas que se desprendem do todo e alcançam mais fundo, como acontece com 'sopro agreste'. Não destoam, contudo, do poema, apenas se amenizam em seu curso melodioso.
Enquanto isso, a divisão em oito capítulos muda os tons, o diapasão altera as oitavas das vozes e, apesar do coração de Leandro trocar facilmente 'Beethoven por hip-hop', ele sabe exatamente mostrar que as escuta, cada qual em seu ambiente, cada voz em sua completude, a ponto de poder escolher entre todas elas.
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