Sexo, tempo e poesia

 

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- Barros, Manoel de. Poemas rupestres. 4ª ed. - Rio de Janeiro: Record, 2007.

Não se trata de poesia, apenas.

Manoel de Barros traz de volta, consigo, uma linguagem que os avós levaram para longe, a pulsação de uma vida cujo ritmo, em algum momento, deixamos para trás.

Talvez por isso, a identidade, o conforto, a intimidade de um café de roça, a paz que reside em móveis rústicos, pesados e largos, em madeira e couro, oferecendo demoras e conversas de uma prosa sem assunto.

Talvez por isso a saudade desse tempo que não volta, esse momento onde tudo é novo, diferente e estranho, onde os cheiros convidam para um suspiro de fechar os olhos.

Manoel de Barros não se traduz na poesia da simplicidade. Ele apenas é. Ele é a simplicidade, a roça, o bilhete, a demora, a fileira de formigas, o cheiro da grama cortada, o marulhar do riacho escondido, as brincadeiras com insetos e cobras, tudo isso condensado e expresso em imagens e palavras, sensações e vertigens.

Ler Manoel é como voltar no tempo e reencontrar aqueles que não ficaram conosco o suficiente, aqueles cujo olhar, por mais terno e encantador, nunca duraria o bastante.